Pandemia

Procura por testes de Covid-19 mais do que dobra em Pelotas

Em apenas três dias de fevereiro, 287 pessoas realizaram o RT-PCR; um salto de 139% se comparado à média diária de 40 exames em janeiro

Divulgação -

Dados divulgados pela Vigilância Epidemiológica de Pelotas fazem soar o sinal de alerta. Desde segunda-feira, quando teve início o mês de fevereiro, o número de pessoas com sintomas em busca de testagem voltou a crescer. A média de exames RT-PCR que era de 40 amostras por dia, ao longo do mês de janeiro - embora tenha oscilado entre 20 e 57 coletas diárias -, teve um salto de 139%. Em apenas três dias, devido ao feriado, 287 pessoas realizaram o PCR. Só na quarta-feira foram 140.

"Acreditamos que o início da vacinação no país gerou uma sensação de segurança. As pessoas perderam completamente o medo", preocupa-se a diretora da Vigilância em Saúde, Tamires Furtado. E engrossa o coro a favor do distanciamento social. "A principal barreira, para conter o vírus, é o isolamento, que é exatamente o que as pessoas não estão fazendo", lamenta.

E, embora ainda não exista resultado destas últimas coletas, é preciso ficar atento: se a maioria positivar e os quadros tiverem agravamento, o risco de sobrecarga sobre a rede hospitalar também aumenta, já que os casos chegariam de forma concentrada ao sistema de saúde. Daí o apelo para que, apesar do verão e do período de férias, a população mantenha cuidados básicos de prevenção.

Imunização só se efetiva com a segunda dose

Uma outra informação é fundamental para a comunidade não abandonar as medidas preventivas: a proteção contra o novo coronavírus só se efetiva após a aplicação da segunda dose. E a resposta imunológica varia de pessoa para pessoa. Mas, a expectativa é de que em um período que oscila de 14 a 21 dias - após a segunda dose -, o cidadão passe a produzir os anticorpos necessários para combater a infecção, caso contaminado.

"Lembramos ainda que tais vacinas, assim como as demais vacinas do calendário nacional, não garantem que uma pessoa ao entrar em contato com outra infectada não vá se infectar", destaca a titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), Caroline Hoffmann. A grande vantagem, entretanto, de estar imunizado é o organismo possuir defesas suficientes para identificar o coronavírus e derrotá-lo, sem que a situação se agrave e provoque internações e, não raro, mortes. Ninguém, todavia, estará imune em contrair o vírus.

Por isso, o tripé distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos permanece como ferramenta fundamental para ajudar a estancar a transmissão da doença - reitera Caroline.

Cobertura vacinal mínima

Estudos científicos, historicamente desenvolvidos, apontam que a cobertura vacinal precisa atingir em torno de 70% para gerar os efeitos esperados. Em função da transmissibilidade da Covid-19, a projeção não é diferente: pelo menos 70% da população precisaria estar imunizada para interromper a circulação do vírus.

E, claro, é fundamental alastrar a campanha e vacinar o mais rápido possível, principalmente, os grupos vulneráveis; os chamados prioritários.

Fique atento a mais uma etapa da Epicovid 

Começa nesta sexta-feira (5) e vai até segunda (8) mais uma etapa do estudo de Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Rio Grande do Sul (Epicovid19-RS), que estima o número de casos na população. Desta vez, será incluído um novo teste de anticorpos, ao lado dos testes rápidos e entrevistas que já fazem parte dos procedimentos de coleta de dados.

O funcionamento da pesquisa segue o mesmo: entrevistadores coordenados pelo Instituto de Pesquisa e Opinião (IPO) visitam as casas de 4,5 mil famílias em nove cidades gaúchas. Os resultados ajudam na tomada de decisão de políticas públicas para conter a pandemia. Em abril, mais uma etapa será realizada.

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